Identidade Lu Monteiro

Nome forte do prêt-à-porter de luxo brasileiro, Lu Monteiro pode ter o seu trabalho condensado em uma palavra: identidade. Glamouroso, mas descomplicado; refinado, mas despretensioso; autoral, mas democrático, o estilo Lu Monteiro tem como base o traço único que esta paulistana – formada em História e em Moda e cidadã do mundo por excelência – imprime com precisão a cada croqui. E são muitos.

O resultado: uma moda que esbanja personalidade e reforça o melhor de quem a veste, seja na linha urbana, em um casual wear sofisticado, mas leve; seja nas versões cocktail, com looks que fazem da forma mais elegante a “ponte” trabalho/agenda social que faz parte da vida da mulher moderna; seja na primorosa linha de festa, onde sonhos fashionistas se materializam em uma leitura moderna do que é ser chique.

Aos 16 anos de carreira – sólida, pois construída sem pressa e anestesiada contra os modismos e tentações fáceis da industrialização fashion – Lu soma três lojas na capital paulista e inúmeras clientes de apurado gosto. Das estrelas da TV que, fãs de suas criações, as “levam” para a vida real para a ficção e vice-versa, a nomes-chave, de todas as idades, do jet set, seu séquito é eclético e poderoso.

Em comum, a paixão “de colecionadora” pela alfaiataria impecável, por peças-ícone como os macacões, as camisas e os vestidos de soirée, pelas estampas exclusivas e bordados primorosos e o desejo de se sobressair pela elegância, nunca pelo excesso, um lema da estilista.

The Eye Has to Travel

Um dos bordões mais emblemáticos da mítica editora de moda francesa naturalizada americana Diana Vreeland (1903-1989), famosa por ensinar às mulheres através dos editoriais das revistas que pilotava o “novo chique”, The Eye Has to Travel – “o olho tem de viajar” – é uma espécie de síntese do trabalho de Lu Monteiro.

Irrequieta, apaixonada, ousada, Lu faz das viagens à amada Europa e a cidades fervilhantes como New York, da História da Arte, seu objeto de estudo constante, da música, da literatura, enfim, da vida, a cartela que compõe o imaginário de sua marca.

Seu olho “viaja”, não para, radiografando mais que tendências – termo que, como todo criador nato, ela vê com reserva –, mas, sim, o estilo em sua essência. Prova disso: o uso recorrente nas coleções de certas cores, materiais e modelagens que lhe são queridos, imprimindo o personalíssimo DNA Lu Monteiro em cada peça que nasce em seu ateliê, seu habitat, onde, entre livros, fotos, pantones e objetos de arte e referência, Lu cria um universo muito particular.

Assim, a Renascença, a “swinging London”, o verão na costa dourada italiana, a psicodelia dos anos 1970 ou seja qual for a inspiração para inverno ou verão, costuram frescor e, de novo ela, a inconfundível identidade que faz a “mulher Lu Monteiro” se destacar de forma única onde quer que vá, onde quer que seu “olho” a leve.